O Trinitarianismo – Capítulo 10

A mais predominante entre as muitas teorias falsas a respeito da unidade de Deus é o trinitarianismo. Este erro foi introduzido para dentro da Igreja vindo do paganismo e manteve seu lugar na teologia através do governo totalitário dos imperadores romanos e da Igreja Católica de Roma. Os reformadores protestantes saíram da igreja papal mas trouxeram consigo algumas doutrinas pagãs. Além de falsas doutrinas como a imortalidade da alma, batismo infantil, e por aspersão, eles também retiveram o falso ensino da trindade.
A reforma foi boa na medida em que novamente chamou a atenção dos homens para a Palavra de Deus, e restaurou doutrinas Bíblicas negligenciadas para o seu devido lugar na igreja. A reforma, porém, não foi longe o suficiente. Muitos erros da Igreja de Roma foram mantidos. Outra reforma se faz necessária hoje, para livrar a Igreja de todos os erros pagãos e retornar às verdadeiras doutrinas da Bíblia.

I. Definição de Trindade

Trindade é a crença na existência de um Ser divino que subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito. O dicionário Webster define a palavra: “A união de três pessoas ou hipóstases (o Pai, o Filho, e o Espírito Santo) em uma Divindade, de modo que todos os três são um Deus, com relação à substância, mas três pessoas ou hipóstases com relação à individualidade’’. (Webster’s Collegiate Dictionary, 5ª edição). Os trinitarianos não acreditam que as três pessoas são uma pessoa ou que as três pessoas são três Deuses. Eles creem em três pessoas que constituem um Deus.

II. Três Propostas Envolvidas

Existem três propostas primárias envolvidas na doutrina da Trindade.
Estes três pontos são: 1) A unidade composta de Deus. 2) A divindade do Pai, do Filho e do Espírito. 3) A personalidade do Pai, do Filho e do Espírito.
O fracasso em provar qualquer uma destas três propostas, resultará no colapso desta teoria. Para refutar a trindade, portanto, alguém precisaria estabelecer apenas um destes três fatos: 1) A unidade simples de Deus. 2) Jesus não é Deus. 3) O Espírito não é uma pessoa.
1. A Unidade Composta de Deus. Os trinitarianos afirmam acreditar na unidade de Deus. Caso eles não afirmassem acreditar que Deus é um, seria revelado que sua doutrina não é outra coisa senão o politeísmo.
Os trinitarianos, portanto, não creem na unidade de Deus como ensinada na Bíblia. Eles rejeitam a verdade bíblica de que existe apenas uma pessoa que é Deus. Eles negam a unidade simples de Deus. O trinitarianismo insiste que a unidade de Deus é composta. Advogam que existe apenas uma substância, uma inteligência e um propósito na Divindade mas estas três pessoas co-existem eternamente nesta única essência e exercem essa única inteligência e único propósito. Eles dizem que a unidade de Deus refere-se à sua substância, essência ou ser.

2- A Divindade do Pai, do Filho e do Espírito. O segundo ponto que os trinitarianos tentam estabelecer é que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito é Deus. Tentam mostrar que cada um deles é mencionado como sendo Deus e que cada um possui atributos e obras de Divindade. Afirmam que os três são iguais em tudo. A única diferença é que eles se distinguem por certas propriedades individuais, que são, o Filho foi gerado pelo Pai, e o Espírito procede do Pai e do Filho.

3- A personalidade do Pai, do Filho e do Espírito. Como o terceiro ponto, os trinitarianos procuram provar que o Pai é uma pessoa, que o Filho é uma pessoa, e que o Espírito também é uma pessoa. Cada um tem uma personalidade distinta dos outros dois. Ou seja, cada pessoa possui supostamente a completa essência divina e todos os atributos divinos. Presume-se que seja Deus em Si mesma. As três pessoas juntas, compartilham uma essência única comum, todos os atributos, uma substância, uma inteligência e um propósito.

III. Origem Histórica desta Doutrina

1. Não mencionada na Bíblia. O trinitarianismo não é uma doutrina Bíblica. Esta teoria sequer é mencionada nem ensinada na Bíblia. As palavras trindade e triúno jamais foram usadas pelos escritores da Palavra de Deus. A doutrina da trindade era desconhecida dos Israelitas do Antigo Testamento e pelos Cristãos do Novo Testamento. Esta teoria foi elaborada muitos anos após a morte do último apóstolo.
Não existe autoridade bíblica para a trindade. Os teólogos tentam ler nas entrelinhas das Escrituras buscando pela trindade. Eles misturam textos das Escrituras na intenção de dar suporte à sua teoria, mas a verdade é que a doutrina da trindade não é ensinada pela Bíblia.
Graham Greene, um inglês convertido ao Catolicismo, escreveu um artigo para a revista Life para apoiar o dogma da Igreja Católica a respeito da ascensão de Maria aos céus. Neste artigo, ele admitiu que não existe autoridade bíblica para a trindade:
Nossos oponentes algumas vezes afirmam que não se deve acreditar dogmaticamente naquilo que não esteja explicitamente exposto nas Escrituras (ignorando que é somente pela autoridade da Igreja é que nós reconhecemos certos Evangelhos e não outros como verdadeiros). Mas as igrejas Protestantes, por si mesmas, aceitam dogmas como a trindade, para a qual não existe autoridade precisa nos Evangelhos.” (Graham Greene “The Catholic Church’s New Dogma: The Assumption of Mary,” Life, 30 de outubro, 1950, p. 51)
A doutrina da trindade além de não ser bíblica é também antibíblica. Não somente é verdade que a Bíblia não apoia tal teoria como também o ensino da palavra de Deus é diretamente oposto a ela. A Bíblia claramente afirma a verdade da unidade não composta de Deus, que é o Pai. Ensina que Jesus é o Filho de Deus, não o próprio Deus. Revela que o Espírito é o poder impessoal de Deus.

2. Origem pagã. A doutrina da trindade é de origem pagã. A trindade, assim como a falsa doutrina da imortalidade da alma, penetrou gradativamente para dentro da teologia da igreja durante os primeiros séculos da era da igreja. Pagãos que aparentemente não estavam completamente convertidos tornaram-se membros da igreja visível. Na medida em que esses homens assumiram posições de liderança como professores e teólogos, a teologia da igreja foi gradualmente paganizada. Os ensinamentos da Bíblia foram reinterpretados e ajustados para acomodar os ensinamentos da filosofia pagã.
Tríades de divindades eram predominantes na mitologia pagã. Embora muitos deuses fossem adorados em nações politeístas, geralmente havia três divindades que eram consideradas como principais. O hinduísmo cria em uma essência Brahma expressa em três personalidades: Brama, o Criador; Vishnu, o preservador, e Shiva, o destruidor. O Zoroastrismo Persa cria em Ahura Mazda, a divindade boa, Angra Manya, a divindade má, que eram expressões de Mitra, a grande causa primal. Confúcio, segundo é relatado, escreveu: “Tao (Deus) é por natureza único; o primeiro gerou o segundo; ambos em conjunto deram origem ao terceiro; estes três criaram todas as coisas.”
Osíris, Ísis e Neftís parecem ter formado a tríade de divindades no Egito. Na Babilônia os três eram Ea, o deus dos resíduos aquosos, Enlil, o senhor das tempestades, e Anu, o senhor dos céus. Na Grécia, as três divindades sobre os demais no Monte Olimpo eram Zeus, Hera e Atena. A tríade de divindades para quem os romanos construíram templos no monte Capitólio eram Júpiter, Juno e Minerva. As três principais divindades dos Germanos eram Odin, Thor e Freyr.
Platão personificou três princípios eternos: Bondade, Conhecimento e Felicidade. A filosofia pagã de Platão que permeava o pensamento grego e romano, foi o principal fator para o surgimento de falsas teorias como a imortalidade da alma e a trindade no meio cristão.
Embora a trindade do paganismo e a trindade do cristianismo nominal não fossem idênticos em todos os detalhes precisos da definição, é evidente que uma teve origem na outra.

3. Primeiro uso da palavra. A primeira vez que a palavra “trindade” foi usada em sua forma grega Trias foi por Teófilo, que se tornou o bispo de Antioquia da Síria no oitavo ano do reinado de Marco Aurélio (168 d.C.). Ele usou a palavra no segundo dos três livros que escreveu endereçados ao seu amigo Autólico. Comentando o quarto dia da criação no Gênesis, ele escreveu: “Da mesma maneira também os três dias que antecederam os luminares, são tipos da trindade, de Deus, de Sua palavra, e Sua sabedoria.” (Theophilus. “To Autolycus” The Ante-Nicene Fathers).
Tertuliano (160-220 a.D.) foi o primeiro à usar a palavra em latim trinitas. Educado em Roma e presbítero em Cartago, Tertuliano lançou os fundamentos da Teologia Latina, a qual mais tarde foi construída por Cipriano e Agostinho. Embora tenha denunciado Platão como filósofo herege, Tertuliano expressou sua teologia nos termos da filosofia de Platão. Ele esteve entre os primeiros a ensinar a imortalidade da alma e a tortura eterna para os ímpios. A trindade e a imortalidade da alma foram formuladas e desenvolvidas dentro de um sistema de teologia por Agostinho. Os escritos de Agostinho tornaram-se a base da teologia da Igreja Católica Romana.
Tertuliano mencionou a trindade em seu livro escrito contra Praxeas que apoiava a teoria Monarquiana. Ele escreveu: “O mistério da dispensação permanece guardado, que distribui a Unidade dentro da Trindade, colocando em sua ordem as Três Pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo.” (Tertullian. “Against Praxeas,” – The Anti-Nicene Fathers)

IV. A Controvérsia Àrio-atanasiana

Uma atenção específica foi centrada sobre a doutrina da trindade no início do quarto século como resultado da controvérsia entre dois líderes da Igreja em Alexandria, Ário (256-336) e Atanásio (293-373).
Ário sustentava que Jesus, embora grande, era de alguma maneira inferior a Deus. Atanásio, por outro lado, afirmava que Cristo era igual a Deus em todos os aspectos.
Em 318 a.D., a controvérsia veio foi aberta. Ário argumentou que se Jesus era realmente Filho de Deus, então deve ter havido um tempo em que existia o Pai, mas não o Filho. O Pai, portanto, era maior do que o Filho. No Concílio de uma Igreja local celebrado em 321 d.C., Ário e seus colaboradores foram excomungados da Igreja por causa desta opinião. Ário, no entanto, tinha muitos amigos e seguidores em todas as Igrejas da Cristandade. A falsa teoria da trindade não alcançou rapidamente uma posição dominante na Igreja.
Pelo mesmo tempo em que a controvérsia entre Ário e Atanásio estava no auge entre as Igrejas, o imperador Constantino tornou-se o principal defensor do Cristianismo. O imperador enxergou a Igreja como uma grande força unificadora e estava ansioso para transformar o Cristianismo na religião universal do Império Romano. Ele queria evitar todas as lutas internas da Igreja. Ele raciocinou que deveria ter uma Igreja unida para ter um império unido.
Buscando restaurar a unidade das Igrejas, Constantino convocou a reunião do Concílio Geral da Igreja para ser celebrado na cidade de Nicéia, em 325 d.C. Os bispos e o clero de todas as Igrejas foram convidados para participar do Concílio com todas as despesas pagas pelo imperador. O Concílio de Nicéia, entretanto, foi um concílio de igrejas da seção oriental do império. Enquanto é dito que compareceram 318 bispos além de oficiais eclesiásticos menores, não estavam presentes no concílio sequer dez bispos do oeste. O Concílio não foi verdadeiramente representativo da Igreja inteira.
Eusébio, conhecido como o Pai da História da Igreja, logo no início do Concílio ofereceu um credo que usava a linguagem Bíblica em vez dos termos filosóficos usados por Atanásio. Os seguidores de Atanásio perceberam que um voto a favor de Eusébio era na verdade um voto a favor de Ário, porque a Bíblia não confirma a doutrina da trindade. O compromisso de Eusébio, portanto, foi rejeitado. O imperador Constantino, embora ignorante com relação aos fatos teológicos que estavam em discussão, estava ansioso por alcançar unidade e apoiou Atanásio. A maioria dos bispos presentes finalmente assinou o credo formulado pelo grupo de Atanásio. Aqueles que não quiseram assinar, incluindo Ário, Eusébio de Nicomédia e Teógnis de Nicéia, foram banidos e seus livros queimados publicamente.
Isto, entretanto, não foi o fim. O debate prosseguiu por cinquenta e seis anos. Ário e seus colaboradores foram chamados de volta do exílio entre três a cinco anos após o Concílio de Nicéia. Atanásio foi deposto por um grande Concílio em Tiro em 335 d.C., sendo banido para Gaul. Ário morreu em 336. Durante os anos que se sucederam, os seguidores de Ário e Atanásio alternadamente foram banidos e chamados de volta, já que os imperadores que governavam o império ora favoreciam uma ou outra teoria.
O trinitarianismo não se tornou a doutrina “ortodoxa” e dominante da cristandade até que Teodósio fosse imperador (379). Teodósio foi o imperador que fez do cristianismo a religião estatal. A união do Estado com a Igreja pavimentou a estrada para o surgimento da Igreja Católica Romana.
Teodósio convocou um Concílio em Constantinopla, que se reuniu em 381 d.C. Compareceram cerca de cento e cinquenta bispos do leste. No credo adotado, o trinitarianismo foi transfomado numa doutrina oficial da Igreja nas fronteiras do império. Todos os que discordaram foram expulsos de seus púlpitos e excomungados de suas Igrejas. Foi o regime totalitário dos imperadores romanos e mais tarde da Igreja Católica Romana que possibilitou à doutrina da trindade manter o seu lugar numa teologia pervertida.
Crentes fiéis, mesmo fora da Igreja Católica Romana, continuaram a acreditar no ensino bíblico sobre a unidade simples de Deus. A região norte da Europa, convertida pelo grande missionário Ulfilas (morto em 381), abraçou a doutrina que o Cristianismo Ariano ensinava. Isto foi muitos séculos antes dos Ostrogodos, Visigodos, Burgúndios, Vândalos, Lombardos, e outros povos do norte Europeu finalmente se renderem à crença na Trindade e eventualmente se tornarem parte da Igreja Católica Romana.

A história da Igreja e a história da doutrina revelam muitos crentes fiéis através de todos os vinte séculos da era Cristã que tem repudiado a teoria da trindade e insistido no ensinamento bíblico a respeito da unidade de Deus.

V. O Trinitarianismo nos Credos.

Durante os anos que se seguiram à morte dos apóstolos, muitas pessoas diziam ser cristãs mas não aceitavam os ensinos apostólicos. A fim de determinar os verdadeiros crentes, cada Igreja local listava certas doutrinas que os convertidos aos cristianismo deveriam crer. Estas listas de doutrinas e confissões de fé foram chamadas de “credos” da palavra credo, eu creio. Haviam quase tantos credos, quanto haviam Igrejas.
O Credo dos Apóstolos, escrito muitos anos após a morte dos apóstolos e chamado assim pois pretendia incorporar os ensinamentos dos apóstolos, foi formulado a partir de vários credos de igrejas locais. Foi escrito para que todas as Igrejas locais pudessem ter uma confissão de fé comum.
O Credo dos Apóstolos não inclui a doutrina da trindade. Embora contenha afirmações referentes a Deus, Jesus e o poder de Deus, o Espírito, a doutrina da trindade não é ensinada e nem mesmo mencionada.

1. O Credo Niceno. Este foi o primeiro Concílio a ensinar a trindade. O Credo Niceno foi originalmente formulado pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C. como segue:
“Cremos em só Deus, Pai todo-poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; por quem foram feitas todas as coisas, que estão no céu ou na terra; o qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou, e se fez homem. Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus. Ele virá para julgar os vivos e os mortos. E no Espírito Santo. E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma essência ou substância diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito a mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica.” (Hodge, A.A.Op cit., pp. 115-116)

2. O Credo Niceno-constantinopolitano. O credo de Nicéia como foi formulado originalmente não é o credo repetido nas Igrejas de hoje com este nome. O credo original foi emendado no Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., e no Concílio de Toledo, Espanha, em 589 d.C. O anátema do credo original foi omitido e o texto referente ao Espírito Santo foi ampliado. A Igreja Grega rejeitou este credo porque ele ensina que o Espírito procede tanto do Pai como do Filho. A presente forma do Credo Niceno é a seguinte:

“Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

3. O Credo Atanasiano. Este credo, que é considerado pelos trinitarianos como sendo a exposição mais profunda que existe atualmente daquela doutrina, é assim denominado em honra a Atanásio. Entretanto, Atanásio não escreveu este credo. Foi escrito muitos séculos após a sua morte. Este credo apareceu pela primeira vez em Gaul, na escola de Agostinho por volta do sexto ou sétimo século. Enquanto lê este credo, note as contradições que ele contém:

01. Qualquer um que quer ser salvo, antes de tudo deve seguir a fé católica: 02. aquele que não a guardar integral e intata, sem dúvida perecerá eternamente. 03. A fé católica é esta: que adoremos o único Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, 04. não confundindo as Pessoas, nem separando a substância. 05. Pois, uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo; 06. mas o Pai e o Filho e o Espírito Santo possuem uma só divindade, igual glória e igual majestade eterna. 07. Assim como é o Pai, assim é o Filho, assim é também o Espírito Santo. 08. Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo; 09. imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo; 10. eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; 11. contudo, eles não são três eternos, mas um só eterno; 12. como não são três incriados nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. 13. igualmente o Pai é todo-poderoso, o Filho é todo-poderoso, o Espírito Santo é todo-poderoso; 14. contudo eles não são três todo-poderosos, mas um só todo-poderoso. 15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; 16. contudo eles não são três deuses, mas um só Deus. 17. Assim o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; 18. contudo eles não são três Senhores, mas um só Senhor. 19. Pois assim como nós somos compelidos, pela verdade cristã, a confessar cada Pessoa singular como Deus e Senhor, 20. assim nos é proibido, pela fé católica, falar de três deuses ou três Senhores. 21. O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. 22. O Filho não foi feito, nem criado, mas gerado, somente pelo Pai. 23. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado pelo Pai e Filho, mas está procedendo deles. 24. Então, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espírito Santos. 25. E nesta Trindade não há nada anterior ou posterior, nem maior ou menor, 26. mas todas estas três Pessoas têm a mesma eternidade e igualdade. 27. Por isso, como já foi dito, seja venerada, em tudo, a Unidade na Trindade, assim como a Trindade na Unidade. 28. Portanto, quem quer ser salvo, deve reconhecer assim a Trindade. 29. Mas é necessário para a salvação eterna, crer também fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo. 30. Então, a verdadeira fé é que cremos e confessamos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é igualmente Deus e homem. 31. Ele é Deus da substância do Pai, gerado antes de todos os tempos, e Ele é homem da substância da mãe, nascido no mundo; 32. perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de alma racional e carne humana; 33. igual ao Pai, visto a natureza divina; menor que o Pai, visto a natureza humana. 34. Ele, mesmo sendo Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. 35. Ele é um, não por ser convertida a Divindade em carne, mas porque Deus assumiu a natureza humana; 36. Ele é um, não por confusão da substância, mas pela unidade de uma Pessoa. 37. Pois assim como a alma racional e a carne são uma Pessoa, assim Deus e homem são um só Cristo. 38. Ele padeceu por nossa salvação, desceu ao reino dos mortos, ressurgiu dos mortos no terceiro dia, 39. subiu ao céu, está sentado à direita de Deus Pai, Todo-poderoso, 40. de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos: 41. com a vinda dEle todas as pessoas vão ressurgir com seus corpos 42. e dar contas de seus próprios atos; 43. os que tiverem feito o bem, entrarão na vida eterna, os que tiverem feito o mal no fogo eterno. 44. Esta é a fé católica: quem não crer nela fielmente e firmemente, não poderá ser salvo. (Curtis, W. A. A History of Creeds and Confessions of Faith; Schaff, Philip. Creeds of Christendom.)

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