Novidade de vida e adoção – Capítulo 62

Novidade de vida e adoção completam as sete grandes doutrinas ou elementos da salvação. O perdão oferece o cancelamento dos pecados ao devedor. A justificação dá ao criminoso condenado a justiça imputada. A reconciliação dá paz ao inimigo. A redenção traz a liberdade ao escravo. A santificação muda a corrupção em santidade. A novidade de vida vivifica aquele que estava morto em pecados. A adoção oferece filiação e herança ao miserável estrangeiro.

I. Novidade de vida

Os pecadores estão mortos no pecado. Eles estão “mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2: 1, 5), “sem Deus no mundo” (Efésios 2: 12) e “separados da vida de Deus” (Efésios 4: 18). Eles estão mortos para o reino espiritual da vida. Não existe contato redentor entre o pecador e Deus. Homens cegos estão mortos no reino da visão; homens surdos estão mortos para o mundo do som; homens paralíticos estão mortos no reino do toque; os pecadores estão mortos para as coisas de Deus. As janelas do coração estão fechadas para o reino do céu. Os pecadores têm uma existência horizontal, mas não têm uma vida vertical. Para eles, a vida não tem uma terceira dimensão.

Quando os pecadores entram em Cristo, eles se tornam novas criaturas. Quando Cristo entra neles, eles recebem novidade de vida. Havendo estabelecido uma união com Cristo, os crentes recebem uma qualidade de vida especial vinda d’Ele. Eles estão num novo nível de existência. A vida para eles adquire uma nova dimensão; ao horizontal é acrescentado o vertical. Eles mantêm relacionamentos não somente com os homens, mas também com Deus. A vida não é meramente estendida à sua volta; mas também é elevada para cima. As janelas do coração e mente são escancaradas em direção a Deus, e através delas entra o brilho da vida de Deus, luz e amor.

Deus é o Autor e a Fonte da novidade de vida para os Cristãos. “Deus nos deu a vida eterna” (1 João 5: 11). “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo” (Efésios 2: 4, 5). “Segundo a sua vontade, ele nos gerou” (Tiago 1: 18). A novidade de vida tem sua origem na graça de Deus. Cristo é o canal através de quem Deus concede a novidade de vida (1 João 5: 11, 12; Tito 3: 5; Romanos 8: 2).

A fé é a causa instrumental da novidade de vida. É um requisito que o homem deve preencher antes de se tornar uma nova criatura em Cristo Jesus. A novidade de vida é dependente da fé do homem, porque a fé estabelece a união entre o homem e Cristo, que é aquele que dá a novidade de vida (João 3: 36; 5: 24; Gálatas 3: 26; 1 João 5: 1).

Novas Criaturas
2 Coríntios 5: 17 Nova criatura é
Gálatas 6: 15 Ser uma nova criatura
Efésios 2: 10 Criados em Cristo Jesus
Efésios 4: 24 Novo homem, criado
Colossenses 3: 10 Novo homem, que se renova
Romanos 12: 2 Transformados pela renovação da mente
Tito 3: 5 Renovação do Espírito Santo

Ressuscitados com Cristo
Romanos 6: 4, 5 Andemos em novidade de vida
Efésios 2: 1, 5, 6 Nos vivificou juntamente com Cristo
Colossenses 2: 12, 13 Ressuscitastes, vos vivificou
Colossenses 3: 1 Se já ressuscitastes com Cristo
João 5: 21 O Filho vivifica aqueles que quer

Gerados e Nascidos de Deus
João 1: 12, 13 Serem feitos filhos de Deus
João 3: 3-8 O que é nascido do Espírito
Tiago 1: 18 Ele nos gerou pela palavra da verdade
1 Pedro 1: 3 Nos gerou de novo
1 Pedro 1: 23 Sendo de novo gerados
1 João 2: 29 É nascido dele
1 João 3: 9 Nascido de Deus
1 João 4: 7 O que ama é nascido de Deus
1 João 5: 1 O que crê é nascido de Deus
1 João 5: 4 O que é nascido de Deus vence o mundo
1 João 5: 18 Nascido de Deus, de Deus é gerado

Ter Vida Eterna
João 3: 36 Tem vida eterna
João 4: 14 Para a vida eterna
João 5: 24 Passou da morte para a vida
João 6: 47 Tem a vida eterna
João 6: 53, 54 Tem a vida eterna
1 João 3: 14 Passomos da morte para a vida
1 João 5: 11, 12 Quem tem o Filho tem a vida
1 João 5: 13 Para que saibais que tendes a vida eterna

Através do arrependimento, fé e batismo, o pecador foi “crucificado com Cristo” (Gálatas 2: 20), “sepultado com Cristo” (Romanos 6: 4) e “ressuscitado com Cristo” (Colossenses 2: 12) para andar em novidade de vida. Os crentes têm atualmente novidade de vida, mas não podem ter a imortalidade até a ressurreição na segunda vinda de Cristo. Hoje, todos os homens são mortais, e tudo no homem é mortal. Não há uma parte do homem que é imortal hoje. A novidade de vida que o crente tem hoje não é a imortalidade.

II. Adoção

Adoção é o ato de Deus na salvação onde Ele, como Pai, coloca seu filho gerado numa posição de um filho adulto com os privilégios da herança legal. Aquele que é adotado é um herdeiro. A novidade de vida e a adoção estão conectadas. A novidade de vida dá a natureza da filiação; a adoção dá a posição da filiação. A palavra “adoção” ocorre somente cinco vezes na Bíblia. Ela é usada somente por Paulo. As cinco ocorrências são listadas a seguir.

Romanos 8: 15 Recebestes o Espírito de adoção
Gálatas 4: 5 Recebermos a adoção de filhos
Efésios 1: 5 Filhos de adoção
Romanos 8: 23 Esperando a adoção
Romanos 9: 4 Israelitas, a adoção

Romanos 8: 23 refere-se à futura redenção do corpo na ressurreição. Romanos 9: 4 refere-se à adoção de Israel e os privilégios como nação de Deus. Os outros três textos se referem à adoção como doutrina da salvação.

Hoje, quando alguém fala de adoção, ele se refere ao processo legal mediante o qual um estranho se torna membro de uma família. No tempo de Paulo porém, adoção referia-se ao processo legal mediante o qual um pai colocava o seu próprio filho numa posição legal de um filho adulto, com todos os privilégios de herança. Alguém pode questionar porque a adoção era requerida quando a criança já era filho por nascimento. Deve ser lembrado que em Roma pagã, um cidadão frequentemente tinha muitas esposas e muitos filhos. Algumas destas esposas poderiam ser concubinas e escravas. O cidadão podia não ter o desejo de que o filho nascido da esposa escrava recebesse seus títulos, posição na sociedade e herança. O processo legal de adoção, portanto, providenciava o meio pelo qual o cidadão poderia designar aquelas crianças que desejava que fossem consideradas filhos e herdeiros. Mediante o recebimento da novidade de vida, os crentes se tornam crianças de Deus. Através da adoção, as crianças são declaradas Seus filhos, aqueles que têm todos os privilégios e a herança da filiação.

Desde quando a humanidade foi concebida, os pecadores estão em miséria; eles estão destituídos e sem posses. Eles são “desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus” (Apocalipse 3: 17). Eles “não são ricos para com Deus” (Lucas 12: 21). Os pecadores podem acumular riquezas hoje, mas estarão sem posses na eternidade (Mateus 6: 19; Lucas 12: 15-21; 1 Timóteo 6: 7; Tiago 5: 1-3).

Como crianças geradas e filhos adotados, os crentes são herdeiros de Deus. “Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei o seu Deus, e ele será meu filho” (Apocalipse 21: 7). “Não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (Tiago 2: 5). “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus, e coerdeiros de Cristo” (Romanos 8: 16, 17). Os textos seguintes ensinam que os crentes são filhos de Deus: João 1: 12; Romanos 8: 14, 19; 2 Coríntios 6: 18; Gálatas 4: 6, 7; Filipenses 2: 15; 1 João 3: 1, 2. Os textos a seguir se referem à herança dos Cristãos: Romanos 8: 17; Gálatas 4: 7; Efésios 1: 11, 14, 18; Colossenses 1: 12; 3: 24; 1 Pedro 1: 4; Mateus 19: 29; Tito 3: 7; Tiago 2: 5; Mateus 5: 5; 25: 34; Romanos 4: 13; Gálatas 3: 29.

Print Friendly
Posted in Soteriologia, Teologia Sistemática and tagged , .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Efetue o calculo! *