Devemos ou não cumprir as 613 mitzvot ou os 10 mandamentos?

Há um embate muito grande entre dois grupos de pensamento sobre a necessidade ou não da guarda da lei de Deus. De um lado, estão aqueles que defendem a obediência à lei, de outro, aqueles que acham que Jesus já a cumpriu. Quem está certo? Este embate é fruto do não entendimento de dois importantes conceitos: justificação e santificação. O que significam?

Justificação é o ato de graça de Deus. Deus nos justificou gratuitamente através do ato de amor ao entregar seu Filho à morte em nosso lugar. Graça significa que nenhum esforço humano de obediência à lei de Deus pode ser contado como mérito salvador. Vejam o que disse o apóstolo Paulo: “E só podem ser justificados gratuitamente pela graça de Deus, em virtude da redenção no Cristo Jesus.” (Romanos :24) Somente em Jesus há virtude de salvação, não no homem. De graça é nossa justificação. De graça é nossa salvação.

Santificação é nosso ato de amor. Quando obedecemos à lei de Deus, estamos demonstrando nosso amor para com Deus em retribuição ao fato que Ele nos amou primeiro. Veja o que diz o apóstolo João: “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos…” (II João 1:6) A santificação é amor a Deus. Vemos que a justificação é ato de Deus e que a santificação é o ato do homem. Ainda, podemos acrescentar que a justificação é um ato completo, a santificação é um processo. Uma pertence a Deus a outra ao homem. A santificação não acrescenta méritos à justificação.

Diante disso, parece que os dois grupos estão certos, porém, não em relação ao conceito de salvação. Salvação é o agregado da justificação mais santificação.

Separados estes dois conceitos, precisamos separar também a lei de Deus (10 mandamentos) da lei de Moisés (613 mitzvot). A lei de Deus são os dez princípios morais dados à toda humanidade em tábuas de pedra. As mitzvot são as leis dadas por Moisés aos israelitas. A lei de Deus rege todos os homens da terra. A lei de Moisés regia os homenes de Israel. A lei de Deus é para a prática cotidiana. A lei de Moisés era para a prática cultual em Israel. A lei de Moisés foi dada a Israel para que ele fosse conduzido à obediência à lei de Deus. A lei de Deus é o fim, a lei de Moisés o meio.  Quando o apóstolo Pedro disse: que nem eles e nem nossos pais conseguiram cumprir, ele se referia às 613 mitzvot (mandamentos) de Moisés, não a lei de Deus, pois esta é suave, como disse o apóstolo João.

Outro discernimento necessário é entre a aplicabilidade ou não das mitzvot. Como as mitzvot (613 preceitos) eram os meios necessários para impor a obediência de Israel à lei de Deus (10 mandamentos), elas se tornaram desnecessárias quando Jesus cumpriu integralmente a lei de Deus (10 mandamentos). Entendam bem! Quando, e somente quando, Jesus cumpriu a lei de Deus, se tornou desnecessária a lei de Moisés que impunha a obediência de Israel à lei de Deus. É neste sentido que a lei de Moisés foi abolida por Jesus, mas isto porque Jesus confirmou a lei de Deus e a estabeleceu. Assim, a partir de Jesus, tornou-se desnecessário o cumprimento das mitzvot, mas o cumprimento da lei de Deus ficou ainda mais importante, uma vez que Jesus havia demonstrado ser, sim, possível ao homem cumpri-la.

Relacionando estes conceitos podemos entender que o plano salvador de Deus foi estabelecido em Jesus. Jesus, o único homem que cumpriu de forma perfeita os dez mandamentos, foi entregue como expiador dos pecados daqueles que não conseguiram cumprir. Este foi o ato justificador de Deus, dar um inocente em favor dos culpados. E foi de graça, sem participação humana. Foi um ato de amor da parte de Deus. Como retribuição, devemos amar a Deus, porque Ele nos amou primeiro, e isto acontece quando guardamos os seus mandamentos, não as 613 mitzvot de Moisés. Isto é santificação. As 613 mitzvot formaram o aio que auxiliou na estruturação do plano salvador, não são o plano salvador. Elas são como as ferramentas usadas na construção de uma casa, não a casa em si. As ferramentas são dispensadas depois que a casa é construída. Assim, a lei de Moisés foi dispensada quando a lei de Deus foi estabelecida. O plano salvador se concretiza quando juntamos a justificaçâo à santificação. A primeira não depende do homem, enquanto a segunda depende.

Concluindo, não precisamos guardar as 613 leis de Moisés, pois ela foi um meio, não o fim. Precisamos guardar a lei de Deus, pois ela é o fim, é o amor, é a santificação. Somos salvos não porque obedecemos à lei de Deus, mas porque cremos em Jesus, esta crença é o acesso à justificação. Enfim, nossa salvação se concretiza quando acessamos a santificação através da justificação gratuita de nossos pecados. Não podemos misturar estes conceitos, caso contrário, nunca entenderemos o que deve e o que não deve ser feito, e o embate continuará.

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6 Comments

  1. Nem os próprios judeus cumprem toda a torah, porque eles mesmos sabem que muitos preceitos não tem mais como cumprir. Nós devemos cumprir os mandamentos e preceitos de cunho moral e espiritual. O Sacerdócio Levitico foi Substituído pelo Sacerdócio de Melquisedeque. Mudando-se o sacerdócio , necessariamente se faz mudança da lei.

  2. não foram apenas os dez mandamentos que foram escritos em tábuas de pedras. Em Josué cáp. 8:32-33, está escrito que ele escreveu toda Lei de Moisés, ou seja, tudo o quanto moisés recebeu de D-us, portanto os 613 mandamentos, em pedras. Dessa forma, Josué, escolhido pelo próprio D-us para ser o sucessor de Moisés, eternizou todos os mandamentos (613) não somente os dez. Se esse ato de Josué não deve ser considerado, então aquele quem o deu a auridade para fazer tal coisa (D-us) não deve ser considerado.

  3. Se todos os 613 preceitos foram abolidos então não há mais sentido proibir comer certas carnes descritas em Levitico como imundas, homem pode casar com homem, e não há mais necessidade do dízimo. Enfim, esse pensamento aqui está confuso finais para uma igreja que impõe essas proibições.

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