Arrependimento – Capítulo 54

O arrependimento é o reconhecimento, pesar e renúncia ao pecado na vida de alguém. Envolve uma mudança de pensamento, sentimento e propósito em relação ao pecado tendo em vista a relação para com Deus através de Cristo. Todos os homens precisam se arrepender do pecado e aceitar o perdão que Deus providenciou através de Sua graça e do sacrifício de Seu Filho. O arrependimento é um dos requisitos básicos para a salvação.

I. O Arrependimento nas Escrituras

A Bíblia reconhece o pecado como uma realidade trágica e declara que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3: 23) e que Deus “agora ordena que todos, tem todo lugar, se arrependam” (Atos 17: 30 NVI).

O arrependimento foi uma mensagem importante dos profetas do Antigo Testamento: 1 Samuel 7: 3; 1 Reis 8: 35, 36; 2 Reis 17: 13; Isaías 1: 16-18; 55: 7; Jeremias 25: 5; Ezequiel 14: 6; 18: 30-32; 33: 11; Oséias 14: 1, 2; Joel 2: 12- 17; Jonas 3: 8; Zacarias 1: 3, 4. O arrependimento foi a principal mensagem de João Batista: Mateus 3: 2-8; Marcos 1: 4-6; Lucas 3: 3-18; Isaías 40: 1-5; Malaquias 4: 5, 6; e um ensino vital de nosso Senhor: Mateus 4: 17; Marcos 1: 15; Lucas 5: 32; 13: 1-5; Mateus 11: 20, 21; 12: 41; Lucas 15; 24: 46-48. O arrependimento foi instado por Pedro e pela Igreja primitiva: Atos 2: 37, 38; 3: 19; 5: 30-32; 8: 22; 11: 18; 2 Pedro 3: 9. Ocupa uma importante posição nas mensagens de Paulo: Atos 17: 30; 20: 21; 26: 20; Romanos 2: 4; 2 Coríntios 7: 9, 10; 12: 21; 2 Timóteo 2: 25; Hebreus 6: 1; 12: 17.

Nosso Salvador insistiu no arrependimento em Suas mensagens para as igrejas da Ásia. Para a Igreja de Éfeso, Ele disse: “… arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Apocalipse 2: 5). Para a Igreja de Pérgamo Ele disse: “Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca” (Apocalipse 2: 16). Para a Igreja de Tiatira, Ele disse: “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras” (Apocalipse 2: 21, 22). Para a Igreja de Sardes Ele disse: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei” (Apocalipse 3: 3). Para a Igreja de Laodiceia Ele disse: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Apocalipse 3: 19).

Lendo o Apocalipse, observa-se que as pragas apocalípticas vão falhar em produzir o arrependimento nos homens que as experimentarão. Com relação à sexta trombeta, lemos: “E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar. E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem das suas ladroíces” (Apocalipse 9: 20, 21). O arrependimento não resultará da quarta taça da ira: “E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo. E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória” (Apocalipse 16: 8, 9). A quinta e a sétima taça da ira também falham em trazer arrependimento: “E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e os homens mordiam a língua de dor. E, por causa das suas dores e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu e não se arrependeram das suas obras” (Apocalipse 16: 10, 11) e “os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva, porque a sua praga era mui grande” (Apocalipse 16: 21). Apocalipse 18: 9-19 descreve os reis e mercadores pranteando pela cidade caída, Babilônia; eles deveriam lamentar por seus pecados.

Saul (1 Samuel 15: 24-30), Acabe (1 Reis 21: 27-29) e Judas (Mateus 27: 3-5) são exemplos de arrependimento inadequado ou falso. Exemplos de verdadeiro arrependimento nas Escrituras são: o do publicano no templo (Lucas 18: 13), o filho arrependido (Mateus 21: 28-32), Zaqueu (Lucas 19: 8-10), o filho pródigo (Lucas 15: 17-19), Davi (2 Samuel 12: 13), Nínive (Jonas 3: 4-10), os israelitas (Juízes 10: 15, 16) e Manassés (2 Crônicas 33: 11-13).

Existem sete salmos de penitência ou salmos de confissão e arrependimento: Salmos 6; 32; 38; 51; 102; 130; 143. O Salmo 51 é excepcionalmente bom como um exemplo de arrependimento e confissão do pecado.

As expressões bíblicas usadas para indicar o arrependimento incluem: voltar, retornar, abandonar, despojar, tirar, rejeitar, deixar, apartar, sair, fugir, escolher, purificar, lavar, limpar, abster, cessar, crucificar e mortificar.

II. Três Elementos do Arrependimento

Os três elementos do arrependimento estão relacionados com as três funções da mente humana, que são, o intelecto, sensibilidade e vontade. O reconhecimento do pecado está relacionado ao intelecto; o pesar pelo pecado está relacionado com a sensibilidade ou sentimentos; a renúncia está relacionada à vontade. O completo arrependimento afeta a vida do pecador por inteiro.

1. Reconhecimento do Pecado. O homem deve reconhecer a si mesmo como um pecador que precisa modificar o curso de sua vida em relação ao pecado. Ele precisa enxergar sua culpa pessoal, corrupção e desamparo diante de Deus e saber que o perdão dos pecados se torna possível mediante o sacrifício de nosso Senhor. O reconhecimento do pecado requer uma busca do coração à luz dos padrões morais de Deus. É necessário orar “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmos 139: 23, 24). O reconhecimento do pecado, entretanto, não é o arrependimento completo. O arrependido deve lamentar pelos pecados e se afastar deles.

2. Pesar pelo Pecado. O segundo elemento do arrependimento é o sincero pesar pelo pecado. Este elemento está relacionado aos sentimentos do homem. O coração contrito pelo pecado resulta em humildade. A humildade Cristã começa no arrependimento e segue pela eternidade.

2 Coríntios 7: 9, 10 A tristeza segundo Deus opera o arrependimento
Joel 2: 12, 13 Rasgai o coração, não as vestes
Salmos 38: 18 Afligir-me-ei por causa do meu pecado
Atos 2: 37 Compungiram-se em seu coração
Tiago 4: 8- 10 Lamentai, chorai, humilhai-vos
Jó 42: 5, 6 Me abomino e me arrependo no pó e na cinza
Salmos 34: 18 Coração quebrantado, espírito contrito
Salmos 51: 17 Um coração quebrantado e contrito

3. Renúncia do Pecado. A renúncia do pecado é uma questão de vontade. É a verdadeira essência do arrependimento. O arrependimento não está completo a menos que inclua um abandono voluntário do pecado. Observe as expressões que indicam a renúncia ao pecado nas seguintes escrituras.

Isaías 1: 16 Tirai o maldade; cessai de fazer o mal
Isaías 55: 7 Deixe o ímpio o seu caminho, retorne
2 Timóteo 2: 19, 21 Aparte-se da iniquidade
Jeremias 25: 5 Convertei-vos agora
Ezequiel 33: 11 Convertei-vos de vossos maus caminhos
Romanos 13: 12-14 Rejeitemos as obras das trevas
Efésios 4: 18-32 Vos despojeis do velho homem
Colossenses 3: 8–14 Despojai-vos também de tudo
Hebreus 12: 1 Deixemos todo embaraço
Colossenses 3: 5 Mortificai os vossos membros
Gálatas 2: 20 Já estou crucificado com Cristo
Gálatas 5: 24 Crucificaram a carne
Gálatas 6: 14 O mundo está crucificado para mim
Romanos 6: 6- 11 Velho homem foi crucificado
Mateus 16: 24, 25 Tome sobre si a sua cruz
Romanos 8: 13 Mortificai as obras do corpo

A renúncia ao pecado produz uma emenda na vida. O arrependimento resulta em reparação, que é a reparação por uma ofensa, e restituição, o que significa a restauração do que não lhe pertencia (Atos 26: 20; Mateus 3: 7, 8; Lucas 3: 8- 14; Atos 16: 33; 19: 18, 19; Lucas 19: 2, 7, 8; Daniel 4: 27; Ezequiel 33: 14- 16.)

III. Arrependimento e Conversão

Um dos primeiros atos do crente é o arrependimento de seus pecados e a busca pelo perdão de Deus através de Cristo. O arrependimento precede e resulta no batismo. Arrependimento, fé e batismo são os três elementos da conversão.

Deus conduz o homem ao arrependimento. Isto é uma dádiva de Deus (Atos 11: 18; 2 Timóteo 2: 25), que é produzida pela Sua bondade e longanimidade (Romanos 2: 4; 2 Pedro 3: 9). O arrependimento e o perdão são possíveis por causa da morte e ressurreição de Cristo (Lucas 24: 46, 47, Atos 5: 30-31). O arrependimento é produzido através da Palavra de Deus (Atos 2: 37-38, 41; Jonas 3: 5), e através do Seu Espírito (João 16: 8). A correção de Deus sobre os crentes é aplicada de forma a produzir arrependimento (Hebreus 12: 6, 10; Apocalipse 3: 19).

A atitude do Cristão deveria ser o humilde reconhecimento em ser indigno da misericórdia de Deus, odiar o pecado em sua própria vida, perdoar o pecado na vida dos outros, dependência no poder de Cristo para vencer tentações, e sua imediata confissão dos pecados conhecidos diante de Deus. Alguém pode expulsar as tentações com obras de justiça.

O exame diário dos pensamentos, palavras e ações, e a confissão dos pecados a Deus são importantes para todos os Cristãos. Como um mercador, no fim do dia, verifica o resultado de suas atividades, o crente precisa a cada dia examinar seu comportamento diante de Deus à luz dos padrões morais de Deus. João escreveu: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 João 2: 1, 2).

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