A aceitação da salvação pelo homem – Capítulo 53

A salvação é condicional. Originada na graça de Deus e baseada no sacrifício de Cristo, a salvação pode se tornar uma realidade na vida do pecador somente se os requisitos de Deus forem satisfeitos. A aceitação pelo homem é a condição sob a qual a salvação é outorgada. Deus providenciou a salvação; o homem deve aceitar a salvação. O homem tem a responsabilidade, Deus recebe a glória.

I. Dois Lados da Salvação

Existe dois lados da salvação, o lado divino e o lado humano. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” – isto é o que Deus fez; este é o lado divino da salvação. “…para que todo aquele que nele crê…”- isto é o que o homem deve fazer; este é o lado humano da salvação.

No processo de salvação, existem coisas que só Deus pode executar e existem coisas que somente o homem pode fazer. Por exemplo, redenção e novidade de vida são obras divinas. O homem não pode redimir a si mesmo nem oferecer a si mesmo novidade de vida. Estas são obras que só Deus pode fazer. Por outro lado, arrependimento, fé e batismo devem ser cumpridas pelo homem. Deus não se arrependerá pelo homem. Embora a misericórdia de Deus conduza o homem ao arrependimento, ele é quem deve se arrepender. O homem por si deve ser batizado. Embora a fé seja uma dádiva de Deus, o próprio homem deve render sua vida a Cristo e exercer a fé em Sua obra de salvação. Estas são coisas que só o homem pode fazer.

1. O Que Deus Faz. O lado divino da salvação inclui tudo o que Deus fez, está fazendo e ainda fará na salvação dos pecadores. Isto inclui todas as riquezas espirituais que Deus concede aos crentes através de Cristo. As sete doutrinas da salvação são obras divinas: perdão, justificação, reconciliação, redenção, santificação, novidade de vida e adoção. Estes são benefícios espirituais que o crente recebe quando ele aceita a dádiva da salvação de Deus e entra em Cristo.

2. O Que o Homem Deve Fazer. O lado humano da salvação é a conversão. A conversão inclui três elementos: arrependimento, fé e batismo. Estas são coisas que o homem precisa fazer a fim de aceitar de Deus a dádiva da salvação.

II. Conversão Envolve Decisão

A salvação dependente da decisão do homem em aceitar a dádiva do amor de Deus. Criado à imagem de Deus, o homem possui a habilidade para escolher; a ele foi confiado o poder de tomar decisões. O poder de decisão do homem é um dos três elementos da personalidade: intelecto, sensibilidade e vontade. Estas são três funções da mente humana. Intelecto é a habilidade da mente de conhecer; sensibilidade é a habilidade da mente em sentir; vontade é habilidade da mente de escolher e agir. Portanto, o poder de decisão, é uma função da vontade humana.

A vontade do homem é o elemento controlador de sua personalidade. Sua vontade é a fonte de todas as ações, o poder governante da natureza moral. O intelecto produz o alvo, a sensibilidade puxa o gatilho, mas é a vontade que atira a flecha. A vontade do homem é de suma importância na conversão.

A vida Cristã começa com uma decisão. O Filho pródigo decidiu “levantar-me-ei, e irei ter com meu pai” (Lucas 15: 18). Rebeca, consentindo em casar-se com Isaque, anunciou “eu irei” (Gênesis 24: 58). Saulo de Tarso perguntou, “Senhor, que queres que faça?” (Atos 9: 6). Na conversão, o pecador voluntariamente entrega a sua vontade à vontade de Deus. Ele escolhe a escolha de Deus. Ele diz “sim” a Deus por toda a eternidade.

A escolha do homem pela dádiva da salvação de Deus deve ser voluntária. Cristo se coloca à porta do coração e bate, mas a porta só pode ser aberta pelo lado de dentro. O pecador deve levantar a trava e abrir a porta, ou a porta nunca será aberta. Mediante infinito amor, Deus inspira o pecador a abrir a porta, a desfazer a barreira e retirar a cortina da escuridão de modo que a salvação possa se tornar uma realidade em sua vida.

III. Três Elementos da Conversão

Os três elementos de conversão são arrependimento, fé e batismo. Eles são essenciais para a salvação. A conversão, naturalmente, não é a base da salvação; ela é a condição da salvação. O homem não pode adquirir a salvação. Arrependimento, fé e batismo não acumulam méritos de forma que Deus esteja obrigado a conceder a salvação como pagamento de uma dívida. Sem conversão o homem não pode experimentar a salvação, mas em si mesmos, os três elementos da conversão não salvam o homem. Jesus é o Salvador; a Sua morte sacrificial providenciou o mérito e a base da salvação. Arrependimento, fé e batismo são condições essenciais para salvação. São requisitos para a salvação porque colocam o pecador na posição apropriada na qual Jesus pode realizar Sua obra de salvação. Uma ilustração desta verdade é que quando um homem está enfermo é preciso que ele visite o consultório de um médico para restaurar sua saúde, mas não é a visita em si, e sim o médico que realiza a cura.

Arrependimento, fé e batismo estão intimamente relacionados. Na Bíblia, quando um elemento de conversão é mencionado, os outros dois são incluídos ou estão implícitos no contexto.

Hebreus 6: 1, 2 Arrependimento Fé Batismo
Marcos 1: 15 Arrependimento Crer ———-
Atos 20: 21 Arrependimento Fé ———-
Marcos 16: 16 ——————— Crer Batismo
Atos 2: 38 Arrependimento —— Batismo
Atos 16: 31, 33 Lavar vergões Crer Batismo

O arrependimento é dar as costas para o pecado; a fé é voltar-se para Cristo; batismo é entrar em Cristo. De certa maneira, o arrependimento é negativo e a fé é positiva. No arrependimento alguém se livra do pecado; na fé esse alguém recebe a Cristo. No arrependimento, ele diz não para o mundo; na fé, ele diz sim a Cristo. No arrependimento ele é “crucificado com Cristo” (Gálatas 2: 20); no batismo, ele é “sepultado com Ele” (Romanos 6: 4); e através da fé, esse alguém é “ressuscitado com Cristo” (Colossenses 2: 12). O arrependimento é crucificação; batismo é sepultamento; fé é ressurreição. O arrependimento é a morte do velho homem; o batismo é o sepultamento do velho homem; e fé é o recebimento da novidade de vida.

IV. Conversão Completa

A conversão do pecador do pecado para a justiça e do individualismo para Cristo deve ser completa. Ela deve envolver a vida por completo. Se o arrependimento e a fé forem genuínos, eles envolverão todos os três elementos da personalidade: intelecto, sensibilidade e vontade. A conversão envolve uma mudança de pensamento, uma mudança de sentimento e uma mudança de propósito na vida do pecador. A relação do arrependimento e fé para com os três elementos da personalidade é demonstrada na tabela a seguir.

Arrependimento Fé
Intelecto: Reconhecimento Crença
Sensibilidade: Remorso, pesar Convicção
Vontade: Renúncia Confiança, Entrega

1. Arrependimento Completo. O arrependimento completo inclui o reconhecimento do pecado, pesar pelo pecado e renúncia ao pecado. O reconhecimento do pecado está relacionado com o intelecto do homem; o pesar pelo pecado está relacionado com a sensibilidade ou sentimentos; a renúncia ao pecado está relacionada com a vontade ou poder de decisão. O arrependimento completo, portanto, afeta a vida do pecador por inteiro. O verdadeiro coração ou essência do arrependimento é a renúncia ao pecado e mudança de vida. É uma questão de vontade. O reconhecimento do pecado pessoal e um coração pesaroso pelo pecado não constituem o verdadeiro arrependimento até que levem à renúncia do pecado.

2. Fé Completa. A verdadeira fé inclui a crença, convicção, confiança e entrega. Como o arrependimento, a fé está relacionada aos três elementos da personalidade do homem. A crença está relacionada ao intelecto do homem; a convicção com a sensibilidade, a confiança e entrega estão relacionadas à vontade do homem. Possuindo a fé verdadeira, o Cristão crerá em Deus, Jesus e nas verdades principais da Bíblia; ele terá completa confiança em Deus e Jesus; ele se entregará a Cristo como Senhor e confiará Nele como Salvador. A crença e a convicção devem preceder confiança e a entrega. A fé é baseada em fatos. Sozinhas, portanto, a crença e a convicção não constituem a verdadeira fé. A verdadeira fé resulta em confiança e entrega. Alguém pode saber todos os fatos a respeito de Jesus e da salvação, e pode possuir completa convicção na habilidade de Cristo para salvar, mas ele não experimentará a salvação a menos que pessoalmente entre em Cristo e se entregue inteiramente em Suas mãos.

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